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A Exploração da Bidimensionalidade da Fotografia,
Intersecções com a Arquitetura e o Design Modernistas | Graphical Abstract | Conference INTER – Photography and Architecture | Navarra, Spain | 2016

ronchamp
The shapes, colours, textures and compositions of modern architecture often points to the same language that the graphic design used at the time.
Starting from this assumption, the research project “A Exploração da Bidimensionalidade da Fotografia, Intersecções com a Arquitetura e o Design Modernistas” aims at the exploration and experimentation of the photographic process as a tool for accurately depicting a three-dimensional field, reducing it to its bidimensionality and understanding how its depth can be captured and manipulated.
The photographic process has its own inherently slow pace, where the image is subjected to a composition study through the observation and definition of different angles and perspectives preceding the final click of the button.
This work is focused on Le Corbusier’s Chapelle Notre-Dame-du-Haut in Ronchamp (France), icon of the modern architecture, namely on its different textures, colour schemes, and modelling of the light and shapes of the chapel’s interior. It is through the insatiable search for the detail(s) that the different compositions are found. Compositions that, if observed out of he architectural object context, may be assumed as bidimensional graphic objects with their own language and relevance.
In this out-of-context reality and in all the new interpretational possibilities resides the object of study of this work: the fragment. The fragment and its new identity. A new identity that will make us question how we should look at the architectural work as a whole and how the entire process is able to mould our sensitivity to the experimentation and observation of the object.
As formas, as cores, as texturas e as composições da arquitetura moderna, remetem muitas vezes para a linguagem que o próprio design gráfico seu contemporâneo desenvolvia.
Partindo deste pressuposto, a investigação A Exploração da Bidimensionalidade da Fotografia, Intersecções com a Arquitetura e o Design Modernistas, visa a exploração e a experimentação do processo fotográfico  enquanto ferramenta de captação da imagem de um campo tridimensional, reduzindo-o à bidimensionalidade e percebendo de que forma a profundidade pode ser captada e manipulada.
O processo fotográfico desenvolve-se a um ritmo lento, em que a imagem é sujeita ao estudo da composição através da observação e definição de ângulos e perspectivas, num trabalho prévio ao momento do “clique” do botão da câmara fotográfica.
Debruçando-nos nesta altura, especificamente, sobre o desenvolvimento desta pesquisa na Chapelle Notre-Dame-du-Haut em Ronchamp, da autoria de Le Corbusier, ícone da arquitectura moderna, são exploradas as texturas, os jogos de cor, a modelagem da luz e as formas do interior do edifício.
É na procura do pormenor, dos pormenores, que são encontradas as composições. Composições essas que observadas descontextualizadas da totalidade do objecto arquitectónico se assumem como objetos gráficos bidimensionais, com uma linguagem e uma relevância individualizadas.

 

Um Ano na Vida da Casa de Chá | Graphical Abstract | Conference INTER – Photography and Architecture | Navarra, Spain | 2016

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From June 2013 to July 2014 an unofficial photographic record of the renewal works of Alvaro Siza Vieira’s Casa de Chá da Boa Nova (Leça da Palmeira, Portugal) took place.
This photographic documentary intended to register the previous state and recovery process of the building, instead of the traditional images that are found in commercial architecture photography. It focuses mainly on the details and in the moments that after the completion of the works would become memories and invisible fragments.
Instead of wide angles capable of embracing the architecture project as a whole, the focus and detail were the gestures and tools used in the imaging process. Because of this approach, with almost two years since the daily visits to Boa Nova, the images, the smell, the memories and the familiarity are still widely present and well defined.
The aim was then to create an emotional relationship with the place, with what was built, showing the effects of the neglect, vandalism and weather; and also with the workers that every day cut stone, torn out rotten wood unravelling the insides of Siza Vieira’s mastery.
The roughness of the corrosion patent on the hydraulic system of the tearoom windows is one of the most definitive examples of this work. The way as the whole design was organized and had worked so well despite the foreseeable consequences of a daily close proximity with the ocean. The colocation of the net that defined the working perimeter at the end of the day, when the summer sky suddenly exhibited a pink and violet sunset. The precarious balance of a woodworker while varnishing the wood close to the stairwell dome, with one foot on the ladder and the other on the fabulous wooden guardrail. The winter weeks that caused the sea to deposit vast amounts of garbage and tear the green net. And hundreds of images more can be immediately connected to histories and details of day in which they were captured.
These images and memories that today are part of an imaginary that cannot be relived but can be consulted and witnessed in an alternative way were the background of the Um Ano na Vida da Casa de Chá – Documentário Fotográfico project.
De Junho de 2013 a Julho de 2014, período em que decorreu a obra de intervenção na Casa de Chá da Boa Nova (Leça da Palmeira, Portugal), da autoria do arquiteto Álvaro Siza Vieira, foi desenvolvido um registo fotográfico não oficial.
Este documentário fotográfico pretendeu registar, mais do que a imagem tradicional que nos remete para a fotografia comercial da arquitetura, o estado e o processo de resgate deste edifício, focando-se, sobretudo, nos pormenores e nos momentos que aquando da finalização da obra se tornariam apenas memórias e fragmentos não visíveis.
Ao invés de grandes amplitudes capazes de abarcar o objecto arquitectónico como um todo, a aproximação e o toque foram os gestos e as ferramentas que acompanharam todo o processo de captação das imagens. E, talvez por isso, dois anos passados do período quase diário de visitas à Boa Nova e de certa forma já maturado e avaliado todo o processo, as imagens, os odores, a memória e a familiaridade ainda são tão presentes e definidos.
Interessou portanto uma relação emocional com o lugar, com o construído, com os resultados do abandono, do vandalismo e das intempéries;  e com os protagonistas que diariamente partiam pedra, arrancavam madeiras e desvendavam as entranhas da mestria de Siza Vieira.
A rugosidade da corrosão no sistema hidráulico dos janelões do salão de chá são um dos exemplos mais marcantes de todo este trabalho. A forma como todo o desenho se organizava e tinha funcionado, a par das consequências previsíveis, mesmo que num normal estado de uso, da proximidade do mar. O final do dia da colocação da rede que definia a área do estaleiro de obra, em que o céu de Verão nos brindou com um pôr-do-sol rosa e violeta. O equilíbrio periclitante de um dos carpinteiros enquanto envernizava as madeiras junto à claraboia da escadaria, com o pé direito num escadote tosco e o esquerdo sobre a fabulosa guarda de madeira. A semana invernosa que fez com que o mar depositasse lixo e abrisse grandes rasgões na rede verde. E centenas de outras imagens imediatamente conotadas com estórias e particularidades do dia em que foram capturadas.
A possibilidade destes registos, destas memórias, que hoje fazem parte de um imaginário que não poderá ser revivido, mas que pode ser consultado e testemunhado de uma outra forma, foram o fundamento do Um Ano na Vida da Casa de Chá – Documentário Fotográfico.
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